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4 de junho de 2013
8 de maio de 2013
Quando eu for, vou sem pena
Por Ana Ferraz
A despedida de Paulo Vanzolini, notável cientista e
decantado poeta do samba, que morreu em São Paulo aos 89 anos.
No último samba, Quando Eu For, Eu Vou sem Pena (1977),
lindamente gravado por Chico Buarque na coletânea Acerto de Contas (2003),
caixa de quatro CDs que o zoólogo de veia poética e humor corrosivo considerou
o fecho de ouro de sua carreira musical, Paulo Vanzolini foi premonitório. Quando
eu for, eu vou sem pena/ Pena vai ter quem ficar, anuncia a letra.
No domingo 28, Vanzolini sucumbiu a uma pneumonia. Tinha 89 anos bem vividos e
um coração que mesmo com 30% da capacidade ainda batia entusiasmado pelo samba.
Cientista respeitado dentro e fora do País, autor de 155 artigos acadêmicos e
vencedor de prêmios importantes, como o outorgado em 2012 pela Fundação Konrado
Wessel, fez da música um hobby que rendeu clássicos como Ronda, Volta
por Cima, Praça Clóvis e outras belas e menos conhecidas canções,
como Valsa das Três da Manhã e Cravo Branco. Modesto, achava
graça do título de embaixador do samba tantas vezes a ele conferido. “Não tenho
por que ter essa vaidade”, disse em entrevista a CartaCapital em janeiro
de 2012.
Autodeclarado duro de ouvido e incapaz de escrever
ou ler partituras, Vanzolini compôs cerca de 70 músicas. “Meu professor foi o
rádio.” Deleitava-se com os sambas de Noel Rosa (“meu mestre de tudo”), Dorival
Caymmi, Cartola, Nelson Cavaquinho, Geraldo Filme, Paulo Nogueira, Dona Ivone
Lara, Adoniran Barbosa e com as vozes de Nelson Gonçalves, Orlando Silva e
Silvio Caldas. “Ouço esses compositores até hoje, são essenciais.” Com Nelson
Cavaquinho a relação ultrapassava a admiração. “Éramos muito amigos. Tomávamos
muita cerveja aqui em casa.” Com Adoniran, companheiro assíduo de cachaça e
conversa fiada, jamais houve parceria musical. “Nossa conversa era cotidiana.
Não rendeu música. Eu nunca compus com ninguém, compuseram comigo”, dizia, riso
satisfeito de quem não perde a piada.
A casa do compositor no Cambuci, estrategicamente próxima da adorada Escola de Samba
Lavapés e na região “dos melhores bares da cidade”, frequentados até
recentemente para o sagrado ritual da cervejinha, foi ponto de encontro da nata
do samba: Roberto Silva, Paulinho da Viola, Eduardo Gudin, Paulinho Nogueira,
Martinho da Vila. Reuniam-se para cantar, tocar e compartilhar causos, esporte
em que Vanzolini era versado. Inconfidências costumavam ser bem-vindas. Como a
história do ciúme de Cacilda Becker em relação a Mariinha, Tônia Carrero, por
causa de Adolfo Celi. Na época, Vanzolini namorava Cleide Yáconis, irmã de
Cacilda. Nessas reviravoltas que a vida dá, Tônia acabou por levar a melhor e
se casou com Celi. A cena em que Cacilda vai ao teatro tomar satisfações de
Tônia é antológica, mas, a pedido do entrevistado, fica como apimentada
indiscrição cometida no calor da entrevista e restrita a quem ali estava.
Filho de um professor de estatística e economia da
Escola Politécnica, o paulistano Vanzolini nasceu “com um livro na mão”.
Recitava poemas, lia de João Guimarães Rosa a Homero. A medicina foi uma escada
para o que realmente lhe interessava, a zoologia. Tornou-se o mais notável
especialista em répteis do País, embrenhou-se Amazônia adentro em busca de
exemplares, percorreu a América do Sul, vasculhou a Patagônia. Relembrou com
emoção o momento em que localizou na selva amazônica o macaco descoberto por um
aluno. “Pegamos o barco e fomos atrás. Achamos um igarapé onde uma mulher
lavava roupa. Perguntou o que estávamos vendendo. ‘Estamos nesse negócio do
mico-de-cheiro. Tem aqui?’ ‘Depende, se vocês querem o de cabeça preta é deste
lado, o de cabeça vermelha é do outro’. Quase desmaiei. O bicho foi batizado
como Saimiri vanzolini.”
Surpreendia na personalidade do cientista e poeta a capacidade de conciliar disciplina e boemia. O
pesquisador que trabalhou 47 anos no Museu de Zoologia, 31 dos quais como
diretor, era o mesmo que saía pelas madrugadas de uma São Paulo poeticamente
prateada pela garoa. O faro de caçador de bichos provou-se afiado para
talentos. Revelou artistas como Os Macambiras, Virgínia Rosa, Martinho da Vila.
Foi numa andança pelo Centro, ainda com patrulha do Exército, que observou a
cena inspiradora de Ronda. “Via as mulheres da vida entrar, olhar no bar
e ir embora. Fiquei pensando o que tinha por trás disso.”
Vanzolini não nutria por Ronda
o mesmo apreço do público que a abraçou como um dos hinos da cidade. Achava
que ninguém tinha entendido a ironia. “É uma piada. A mulher está atrás do cara
para desperdiçar um pente de revólver.” Entre suas favoritas estava Longe de
Casa Eu Choro (parceria com Eduardo Gudin), feita durante o doutorado em
Cambridge, nos EUA: (“...sinto falta de São Paulo/ De escutar na
madrugada/ Uns bordões de violões/ E uma flauta a chorar prata/ Dor de amor não
me magoa/ A saudade da garoa é que me mata”). E, bem ao seu estilo, gostava
da deliciosamente irreverente Juízo Final. Absolvido dos pecados (“no
geral bem pesados”), o poeta elevado aos céus observa satisfeito o panorama no
andar inferior: “Agora só toco harpa/ De camisola e sandália./ Espio pra ver
lá embaixo/ A quadrilha da fornalha./ Aquela ingrata hoje está/ Trabalhando de
salsicha,/ Espetadinha no garfo/ Satanás fritando a bicha./ Ô demônio,
capricha!”
Fonte - Carta Capital
29 de abril de 2013
A sabedoria do boêmio
O compositor e zoólogo Paulo Vanzolini, de 89
anos, morreu às 23h35 de domingo 28, segundo o Hospital Israelita Albert
Einsten. Confira reportagem sobre ele publicada em janeiro de 2012
Noite dessas, Paulo Vanzolini sonhou com uma
poesia de Olavo Bilac que decorou quando ainda era rapazote. Os versos, que são
muitos, vieram por inteiro. Aos 88 anos, o autor de composições que
atravessaram gerações sem perder a força, como Ronda e Homem de Moral, conserva
a prodigiosa memória e se mantém imperturbável diante da fama.
Considerado por muitos o embaixador do samba de
São Paulo, ele agradece o epíteto. “Não é verdade, mas eu gosto”, diz, sorriso
nos lábios. Acomodado numa poltrona de couro na modesta casa do Cambuci,
“bairro cheio de bares ótimos”, o homem culto que cresceu rodeado de livros e
se tornou zoólogo de reputação internacional põe em perspectiva a criação de
uma vida, 70 composições e 155 trabalhos científicos. “Que glória é essa, meu
Deus”, questiona, num lapso, o declarado ateu, bisneto de anarquista. “É uma
glória muito humilde. Não tenho motivos para ser vaidoso.”
Nesta sexta 27, semana em que São Paulo completa
458 anos, Vanzolini concederá ao público o privilégio de tê-lo na Choperia do
Sesc Pompeia. Instalado numa mesa, cervejinha à mão, o artista acompanhará
alguns de seus grandes sucessos, interpretados por Ana Bernardo e Carlinhos
Vergueiro. Entre uma canção e outra, o show será pontuado pelas reminiscências
do compositor que, junto com Adoniran Barbosa, de quem foi “amigo de muitas
cachacinhas”, traduziu a cidade de forma definitiva.
“Adoniran era ótima pessoa, nos dávamos muito bem. O cara
mais desligado que já conheci. Vinha de família italiana do Vêneto. De menino o
chamavam de Joanim.” Os longos papos entre Vanzolini e João Rubinato
(Adoniran), que em sua simplicidade dizia não entender bem o que o cientista
fazia (“ele mexe com zoológico, sei lá”), jamais renderam samba. “Sempre me
pedem para contar como era nossa conversa. Era muito cotidiana. Não tinha nada
demais. Era nossa conversa.”
A famosa Tiro ao Álvaro, relembra, surgiu como um presente do
jornalista e escritor Osvaldo Molles ao amigo Adoniran. Foi Molles também o
criador do personagem Charutinho, de tiradas engraçadas embaladas por sotaque
italianado, que interpretou com grande sucesso na Rádio Record. “Adoniran
acabou assumindo na vida real o personagem da ficção. No fundo, ele era mesmo
só o Joanim.” Quando a saudade aperta, Vanzolini dirige-se ao Mercado
Municipal, o Mercadão da capital paulista. “Colocaram uma estátua do Adoniran
numa mesa. De vez em quando vou lá tomar uma cerveja com ele.”
A prosa animada de repente silencia. O olhar do
compositor vagueia pela sala, ambiente que Ana Bernardo, sua atual mulher,
define como “totalmente masculino”. Justifica-se a quase queixa: sobre um
aparador, uma grande cobra de madeira exibe a boca aberta (souvenir comprado na
Espanha). A seu lado, outra, bem mais modesta nas medidas, porém, verdadeira,
exibe-se sobre um tronco. Para alívio dos visitantes, o exemplar não se move,
foi plastificado graças a uma técnica especial. A terceira fica na mesinha de
centro. Ao lado da porta de entrada, o cabideiro dá pistas sobre a atividade
profissional do dono da casa. Ali estão os chapéus que Vanzolini usava para
adentrar o mato em busca de bichos.
Compositor Paulo Vanzolini morre aos 89 anos em São Paulo
O compositor e zoólogo Paulo Vanzolini morreu
neste domingo aos 89 anos, vítima de complicações decorrentes de uma pneumonia.
Ele estava internado desde a noite da última quinta (25), seu aniversário, na
UTI do hospital Albert Einstein, em São Paulo.
Deixa mulher, a cantora Ana Bernardo, e cinco
filhos do primeiro casamento.
Um dos ícones do samba paulistano, criou
clássicos como "Ronda", "Volta por Cima" e "Praça
Clóvis", interpretados por grandes nomes da MPB, como Chico Buarque, Maria
Bethânia e Paulinho da Viola.
No mês passado, Vanzolini foi um dos 87 artistas
a se apresentar em evento no Teatro Oficina para arrecadar fundos para reformar
e ampliar a Casa de Francisca, pequena casa de shows paulistana. Também em
março, recebeu o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) pelo
conjunto da obra.
Compositor bissexto, de músicas que chegavam a
demorar um ano a ficar prontas, Vanzolini não tocava nenhum instrumento (para
escrever as canções, entoava-as a amigos músicos) e tinha, assumidamente, um
"grande problema com a afinação" (como disse em entrevista ao
"Jornal do Brasil", em 1970), mas se firmou como um grande compositor
de samba.
Compunha nas horas vagas do
trabalho como zoólogo de renome internacional especializado em répteis. Com
doutorado em Harvard, Vanzolini foi por três décadas diretor do Museu de
Zoologia da USP, onde trabalhou por mais de 50 anos.
"Não tenho carreira de compositor. Música,
para mim, é um hobby. Trabalho 15 horas por dia como zoólogo, adoro minha
profissão. Não sei cantar, nem sei a diferença entre o tom maior e o
menor", disse, em 1997, em entrevista à Folha.
Fonte
– Folha de SP
20 de março de 2013
Morre Emílio Santiago
Um dos meus ídolos da MPB e uma das mais belas vozes
do Brasil
Dirceu Faria
Cantor estava
internado no Hospital Samaritano, em Botafogo, desde o dia 7 de março, após
sofrer um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC); sambista iniciou a
carreira na década de 70 e gravou grandes sucessos como Saigon, Lembra de Mim e
Verdade Chinesa
247 –
Aos 66 anos, morreu o cantor Emílio Santiago, que estava internado no Centro de
Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do
Rio. O sambista sofreu um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC), no dia 7
de março.
O cantor iniciou a carreira na década de 70 e
gravou grandes sucessos como Saygon, Lembra de Mim e Verdade Chinesa.
Seu último disco foi "Só danço samba (ao
vivo)", lançado em 2012, junto com um DVD. O álbum homenageia o
organista e arranjador Ed Lincoln, "O Rei dos Bailes", e conta com
canções de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
Fonte
– Brasil247
10 de setembro de 2012
Muchacha en la Ventana, de Salvador Dali
Ana, em seus dezessete anos, passava horas olhando pela janela o mar de
Cadaqués, as mesmas horas que seu irmão Dali dedicava para imortalizá-la
nesta contemplação. O quadro, pintado em 1925, está preservado no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia , em Madri.
Fonte - Blog do Nassif
Fonte - Blog do Nassif
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