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4 de junho de 2013

Chilenos têm suspeitos da morte de Pablo Neruda





Jornal GGN – Um misterioso personagem identificado como “Dr. Price” acompanhou, no dia 23 de setembro de 1973, o poeta chileno Pablo Neruda nos seus últimos momentos de vida, e aplicou uma injeção no estômago do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura poucas horas antes da sua morte.
Essa injeção, segundo a imprensa noticiou na época, produziu uma parada cardíaca que levou Neruda à morte. O certificado de óbito, no entanto, afirma que a causa da morte foi um coma ocasionado pelo câncer de próstata que acometia o poeta, mas que estava sendo tratado.
De acordo com o testemunho de enfermeiras e médicos que atenderam Neruda, o “Dr. Price” era um homem loiro, olhos azuis, com 1,80 metros de altura e, naquela época, aparentava ter de 27 a 30 anos.
O tema voltou a ser analisado pela justiça chilena a pedido de Manuel Araya, ex-motorista de Neruda, e que entrou na justiça pedindo esclarecimentos sobre essa morte. A ação motivou a exumação do corpo no poeta. Na semana passada, pela primeira vez chegou-se a uma possível identificação do "Dr. Price" a partir de um retrato falado elaborada com ajuda dos testemunhos dos envolvidos à época. Michael Townley e Hartmut Hopp então foram identificados por Araya como os suspeitos mais prováveis de se aplicar a injeção em Neruda.

Michael Townley


Michael Townley, é um ex-agente da CIA que trabalhou com os serviços de repressão do Chile durante a ditadura militar. Townley foi condenado nos EUA pela morte do ex-chanceler do governo de Salvador Allende, Orlando Letelier, e de sua ajudante, Ronni Moffitt, em um atentado a bomba em Washingtong. O norte-americano confessou também à corte dos EUA que foi quem construiu, instalou e detonou a bomba que matou o general chileno Carlos Prats, ex-comandante do Exército do Chile, e sua esposa, na Argentina em setembro de 74.
Michael Townley fez um acordo pela morte de Letelier e vive hoje sob o programa de proteção a testemunhas nos EUA.



Hartmut Hopp


Outro dos suspeitos de terem aplicado a injeção suspeita em Neruda é o médico alemão Hartmut Hopp.  Condenado no Chile por crimes contra os Direitos Humanos em uma colônia alemã chamada Colonia Dignidad.
As ligações dele com a ditadura foram reconhecidas por Townley, que declarou que lá era produzido o gás sarín utilizado para assassinar opositores à ditadura chilena durante o regime militar no chamado Projeto Andrea.
Hopp fugiu da justiça chilena em 2011 e desde então vive em Krefeld (oeste de Alemanha), protegido pela legislação alemã que não permite sua extradição.

Investigação da morte de Neruda

Segundo Eduardo Contreras , advogado que encaminhou o processo para esclarecer a causa da morte de Neruda,  em nome do ex-motorista do poeta Manuel Araya, as autoridades policiais estão atrasando o processo de forma incômoda.
“Já faz dois meses que o corpo de Neruda foi exumado, no dia 6 de abril, e o serviço médico legal do Chile sequer fez o exame de DNA para comprovar que o corpo é mesmo o do Pablo” afirma o advogado.
Depois de retiradas as amostras, as mesmas serão analisadas por laboratórios chilenos e da Carolina do Norte, nos EUA.

Para Contreras esse atraso não é intencional, mas demonstra a imperícia e falta de rigor da polícia científica chilena.


Fonte – jornalggn.com.br

22 de maio de 2013

O sucídio na Catedral de Notre-Dame



Por Rodrigo Vianna, a partir de indicação de @nilsonlage
tradução do Le Monde

A notícia é manchete no portal do “Le Monde” – o mais tradicional jornal francês: um fundamentalista se suicidou na França. E o gesto teria conotações políticas. Os mais apressados devem ter pensado: trata-se de um muçulmano desesperado, mais um na imensa diáspora de imigrantes árabes em Paris? Afinal, a imprensa ocidental acostumou-se a fazer a relação: “fundamentalismo”/muçulmano.
Só que a notícia é surpreendente e deve provocar arrepios entre os velhos liberais franceses: o gesto extremo foi de um francês, católico. Um militante da extrema-direita católica francesa. Sim. E o mais impressionante: ele se suicidou dentro da Catedral de Notre-Dame. A seguir, as informações, traduzidas (com meus parcos conhecimentos de francês) doportal do “Le Monde”.
Dominique Venner, ensaísta e historiador de extrema-direita de 78 anos, antigo membro da Organização Armada Secreta (OAS), cometeu suicidio nesta terça-feira, dentro da catedral de Notre Dame, em Paris. Ele tombou, sem dizer uma palavra, atrás do altar, depois de dar um tiro na boca, por volta das 4 da tarde. Um segurança chegou a fazer massagem cardíaca. Monsenhor Patrcick Jacquin, responsável pela catedral, disse que Venner deixou uma carta sobre o altar: “Era uma cena apocalíptica, nunca vista aqui“, disse Jacquin para a imprensa.
O ministro do Interior francês disse que o suicídio aconteceu quando havia 1.500 pessoas na catedral, que é – segundo ele - “um dos símbolos de Paris e de nosso país”.
O objetivo de Venner parece ter sido este mesmo: um gesto extremo, num lugar simbólico para o catolicismo francês.
Marine Le Pen, dirigente da “Frente Nacional” (partido da extrema-direita francesa, fundado pelo pai dela), logo se manifestou no twiter qualificando o suicídio como “um gesto político”.
Antigo militante da extrema-direita, Venner foi paraquedista durante a Guerra da Argélia, e lutou para que o país africano seguisse sendo uma colônia francesa.
O site do “Le Monde” informa que Venner teria deixado uma outra mensagem, em que diz amar a vida, a mulher e os filhos, mas que julgou necessário “o sacrifício para romper a letargia”. O ensaísta acha que é preciso mostrar as ameaças contra a “família” e “nossa multimilenar civilização” – numa referência à cultura tradicional francesa.
A direita francesa tem feito grandes manifestações contra a lei que aprovou o casamento gay no país. Venner escreveu que não basta combater o casamento gay. Para ele, o inimigo principal seria o Imigrante (esse grande “outro”, ameaçador, que toma o lugar do judeu na mitologia do fascismo francês). A imigração de árabes (que, em sua maioria, professam fé muçulmana) é vista pela direita como ameaça à identidade da chamada “Civilização Européia”.
No próximo dia 26 (domingo), uma grande marcha foi convocada pela extrema-direita e por grupos cristãos tradicionalistas. O gesto extremo de Venner pod ser lido como uma tentativa de mobilizar os militantes ultraconservadores e xenófobos.
O ato de Venner mostra que o fundamentalismo religioso chegou ao coração da Europa. Ou, talvez, tenha estado sempre ali – feito o monstro da lagoa que de repente vem à superfície.
O professor e jornalista Nilson Lage, pelo twitter nesta terça à tarde, comentou: “Espetacular suicídio: monge tibetano? Militante árabe? Não. Um católico fundamentalista homófobo francês”. E, mais tarde completou: “É bom lembrar que a França é o berço dos primeiros grandes teóricos do fascismo no Século XX: Le Bon, Maurras e Sorel.”
O site Opera Mundi lembrou que Venner deixou um último texto em seu blog, com indicações do que considera os próximos passos para mobilizar a extrema-direita:
Em seu texto, ele criticou toda a classe política, com exceção do partido de extrema-direita Frente Nacional. “Após 40 anos, os políticos e governos de todos os partidos (salvo o FN), além dos empresários e da Igreja, trabalharam ativamente para acelerar de todas as maneiras a imigração dos afro-magrebinos”, escreveu.
Segundo ele, “são necessários gestos novos, espetaculares e simbólicos para fazer agitar essa sonolência chacoalhar as consciências anestesiadas e despertar a memória para as nossas origens”.
Verdade que Paris tem como um dos seus símbolos o lindo prédio do Instituto da Cultura Árabe. Prova de que boa parte dos franceses (e, sobretudo, o Estado francês) tem conseguido incorporar os traços de outras culturas. Mas há uma outra França que se agita: a mesma que deu as boas-vindas a Hitler nos anos 40. A França de Vichy, dos colaboracionistas. A França fascista.
Assustador? A história não se repete, ok. Mas já vimos filme parecido nos anos 20/30 – em meio a crise econômica tão severa como a atual.

Fonte - Blog do Nassif

17 de maio de 2013

Morre Videla, o maior genocida da América Latina




"O inferno é pouco", definiu o jornal argentino Página 12, sobre a morte do ditador Jorge Videla; responsável por milhares de assassinatos, pelos quais foi condenado a prisão perpétua, Videla morreu de causas naturais aos 87 anos, na Penitenciária Marcos Paz; ele próprio admitiu a responsabilidade pelas "mortes e desaparecimentos de entre 7 mil e 8 mil pessoas" durante seu governo; "Tenho peso na alma, mas não estou arrependido de nada", declarou

Monica Yanakiew
Correspondente da Agência Brasil/EBC

Buenos Aires - O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla morreu nesta sexta-feira (17), às 6h30, de causas naturais, na Penitenciária Marcos Paz. Ele cumpria pena de prisão perpétua por crimes de lesa-humanidade.
Videla, que tinha 87 anos, presidiu a Argentina no período de 1976 a 1981. Ele foi o líder do golpe de 24 de março de 1976. Quando a democracia foi restabelecida no país, em 1993, o ex-ditador e outros membros das juntas militares que governaram o país foram processados por crimes contra a humanidade. Videla foi condenado à prisão, mas acabou sendo anistiado no governo Carlos Menen.
Em 2003, Néstor Kirchner assumiu a Presidência da Argentina e revogou as leis de anistia em vigor no país. Com isso, Videla foi novamente processado. Em dezembro de 2010, ele foi condenado à prisão perpétua. A pena, desta vez, teve de ser cumprida em cela comum e não mais em uma prisão militar.
O ex-ditador foi acusado de ser o responsável pelo desaparecimento de pessoas e por roubos de bebês. Essas crianças eram filhos de desaparecidos, e nasceram em cativeiro ou foram sequestradas enquanto estavam com os pais e entregues para adoção, muitas vezes a famílias ligadas ao regime.
Cerca de 30 mil pessoas desapareceram na ditadura argentina, segundo organizações de direitos humanos. Até os últimos dias de vida, Videla defendeu a atuação dos militares na ditadura. Para ele, a "guerra suja" era necessária contra a guerrilha armada. O ex-ditador nunca informou o paradeiro dos corpos dos desaparecidos nem dos bebês sequestrados.
Confira aqui a reportagem sobre a morte de Videla no principal jornal do país, o Clarín.

Fonte – Brasil247

16 de abril de 2013

Os Funerais de uma Desalmada





Apodreça no inferno, Maggie.
“Ela foi uma mulher perversa”, disse o eminente parlamentar George Galloway, o mais corajoso homem de esquerda da Grã Bretanha da atualidade, ao protestar contra a falácia da tentativa de glorificação de Margaret Thatcher pelo governo conservador.
“Nós estamos gastando 10 milhões de libras na canonização dessa mulher malvada, dessa mulher que arrasou a indústria britânica, da Escócia, no Norte, ao País de Gales, no Sul. A comparação com Churchill é  rematado absurdo. Ele salvou a real existência de nosso país, enquanto Thatcher fez tudo o que pôde para acabar com 1/3 de nossa produção manufatureira e reduzir-nos ao que somos hoje”.
Os protestos populares da noite do último sábado, contra mais cortes no orçamento social britânico (que se iniciaram nos anos 80, com Margaret Thatcher) foram marcados pelas manifestações de júbilo pela morte da Dama de Ferro, que já se encontrava exilada de sua mente, acometida da doença de Alzheimer. Enquanto  mantinha plena consciência de seus atos, planejou seus funerais com toda a pompa desejada: honras militares e cerimônia religiosa na Catedral de São Paulo – homenagens que  não se prestaram à Rainha Mãe, quando de sua morte, em 2002.
Os cartazes exibidos pelos trabalhadores nas ruas de Londres foram impiedosos na expressão de sua revolta contra a única mulher, até agora, a chefiar o poder executivo de um país anglo – saxão. 
No mesmo tom de Galloway manifestou-se Lord Prescott, que foi vice-primeiro ministro de Tony Blair:  “Ela só defendeu os multimilionários, os banqueiros, os privilegiados. Nunca mostrou a menor compaixão pelos doentes, necessitados e desesperados”.
Prescott foi o primeiro a denunciar a pompa fúnebre, e sugeriu que apenas os multimilionários beneficiados por Thatcher contribuíssem para o enterro.
O consulado tirânico de Thatcher, com suas conseqüências abomináveis para os povos do mundo, deixa lições que não podem ser esquecidas. A primeira delas é a de que as massas, sem uma vanguarda política, e, assim, sem consciência social, são facilmente manobradas pelos líderes carismáticos da direita – ou de uma falsa esquerda. 
Ela, como Hitler, nunca enganou. Desde os seus primeiros passos na política, mostrou logo a que vinha. Como funcionária do primeiro escalão do Ministério da Educação, no governo Heath, mandou cortar a ração diária de leite fornecida às crianças das escolas públicas, como medida de economia, com o argumento de que os pais podiam dar-lhes o leite em casa. Diante dos protestos – os trabalhistas vaiavam-na aos gritos de “Thatcher ladra de leite!” – ela decidiu que as cantinas escolares distribuiriam 1/3 de copo de leite a cada criança, a fim de “evitar sua desnutrição”.
O corolário de sua estranha teoria política se resume em poucas palavras: não há sociedade; há indivíduos. Cabe a cada indivíduo buscar o seu bem-estar, sem nada pedir ao Estado. Em suma: se o Estado não protege os fracos, ele só existe para garantir os fortes. Abole-se, desta forma, o princípio imemorial da solidariedade tribal, assumida pelo Estado, que garantiu a sobrevivência da espécie. 
A segunda lição é a de que a mobilização política é sempre mais poderosa do que os atos de violência, quando há ainda espaço para essa conduta.
Em 1983, quando terminaria o seu mandato, com a renovação da Câmara dos Comuns, um fato inesperado serviu para que, ganhando o pleito para os conservadores, permanecesse no poder: a insensatez de Galtieri em invadir as Malvinas, sem dispor de poder militar para isso, nem do necessário suporte diplomático. E o atentado do IRA, no ano seguinte, que visava mata-la, em um hotel de Brighton, e que fez cinco vítimas, consolidou seu poder.
O atentado pode ser explicado pela brutalidade da repressão contra os militantes irlandeses, prisioneiros em Ulster. O líder Bobby Sands e vários outros iniciaram uma greve de fome que terminou com a sua morte e a de nove de seus companheiros.
A contra-revolução mundial de Mme. Thatcher contra os direitos do homem continua, na brutal insolência do neoliberalismo, sob o comando do Clube de Bilderberg e dos grandes bancos mundiais.
Em todos os paises do mundo, principalmente na Europa, os pobres estão morrendo, por falta de empregos, de hospitais, de teto, de vontade de viver. Há endemia de suicídios, principalmente nos países meridionais. Thatcher morreu, mas Ângela Merkel está aí, para defender as suas idéias.
Um cartaz impiedoso, exibido sábado à noite em Londres expressa o sentimento dos ofendidos e humilhados pelas “reformas” de Thatcher: “The bitch is dead” – a cadela morreu. Seus filhotes, no entanto, se multiplicam no mundo.
Se a Humanidade quiser sobreviver com a dignidade construída pela razão, e não se entregar a uma tirania universal, terá que reagir com a mobilização política dos cidadãos organizada em torno de iniciativas concretas que restabeleçam  os direitos previstos nas leis que pretendiam assegurar, em todo o mundo, o Estado de bem estar social, antes que seja muito tarde.

Fonte – Blog do Saraiva