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14 de junho de 2013

Jurista liga Alckmin à ditadura e diz que seu discurso promove a violência



Ele tem uma política militarizada de segurança pública. E segurança pública não significa só caçar bandidos. Significa dar tranquilidade social
Wálter Maierovitch jurista, sobre o governador Geraldo Alckmin (PSDB)

Para Wálter Maierovitch, Polícia Militar é voltada ao uso da força contra a população e não está preparada para o Estado democrático
 
Ação da Polícia Militar deixou dezenas de feridos, incluindo
 Jornalistas como a repórter Giuliana Vallone, atingida
no olho por uma bala de borracha
Em entrevista ao Jornal do Terra, o jurista Wálter Maierovitch criticou duramente nesta sexta-feira a ação da Polícia Militar de São Paulo na repressão ao movimento de protesto contra o aumento nas tarifas do transporte público na capital paulista. Segundo o especialista, a PM não está preparada para a democracia e é insuflada por um discurso "belicoso" do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que se assemelha a práticas da ditadura militar e incentiva a violência contra a população.
"Um governador que chama e dá um sinal verde para empregar uma Tropa de Choque numa manifestação. É a doutrina da lei e da ordem, do rigor. E esse rigor que fatura politicamente em cima da violência", afirmou Maierovitch, que chamou Alckmin de "Erasmo Dias de sacristia", comparando-o ao militar que comandou a ocupação do campus da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1977. "Se a gente fizer uma leitura dos discursos do Alckmin, ele é, nos tempos atuais, nada mais nada menos que um Erasmo Dias. Um Erasmo Dias de sacristia, porque tem todo um discurso camuflado."
Segundo Maierovitch, as cenas de violência policial vistas na noite de quinta-feira na região central de São Paulo são reflexo de uma política equivocada de segurança pública, que prioriza a repressão em detrimento da investigação e prevenção. Para o jurista, a extinção da Guarda Civil e o investimento na Polícia Militar acabou por criar uma mentalidade de violência repressora, potencializada pelo discurso do governador. "Ele tem uma política militarizada de segurança pública. E segurança pública não significa só caçar bandidos. Significa dar tranquilidade social", criticou.
​O jurista afirmou ainda que a PM mantém os mesmos procedimentos da ditadura militar e não está apta a conviver com o Estado democrático. "Eu acho que a gente tem que começar com uma radiografia onde se vê claramente que é uma polícia que já tem a 'militar' do lado do seu nome e não é preparada, não é educada para a legalidade democrática. Se nós temos esse tipo de polícia, que não é educada, não conseguimos romper aquela cultura da violência", analisou.
Segundo o especialista, essa mesma mentalidade permeou o Massacre do Carandiru e a recente repressão a manifestantes na ação de reintegração de posse na região conhecida como Pinheirinho. "Vem da ditadura, passa pelo massacre e continua. Continua pelo Pinheirinho, pela Tropa de Choque entrando no campus da USP por conta de um probleminha causado por um cigarrinho de maconha. (...) Que cultura é essa? É exatamente a mesma da ditadura militar", citou Maierovitch.

Fonte – terra.com.br


PMs retiram manifestantes a força de dentro de hospital e inpede atendimento



Por Luciana Boullosa, via Facebook

ACOMPANHAVA MINHA FILHA NA EMERGÊNCIA DO HOSPITAL SANTA CATARINA, na AV. PAULISTA, na noite do dia 11 de junho às 22 horas, quando ouvi um grande estouro vindo da rua.

Alguns segundos depois, entram no saguão da emergência, quatro estudantes DESESPERADOS.
Dois rapazes acompanhavam uma colega que passava mal por causa do gás lacrimogêneo. Um quarto manifestante procurava socorro com a boca ensaguentada. Todos estudantes da USP. Mais alguns segundos e entraram correndo 4 ou 5 PMs atrás deles(pareciam uns armários). Mandaram que todos saíssem, como se fossem bandidos. Como eles se recusaram e tentaram explicar que queriam atendimento, os policiais começaram a bater e arrastá-los para fora do hospital. Neste momento, todos que acompanhavam seus doentes gritamos com eles para não surrarem os meninos. Mas, não teve jeito. Arrancaram os dois rapazes à força e ainda tentaram levar a menina, mas perceberam que não deixaríamos… O quarto manifestante (ensanguentado) a enfermeira não deixou que levassem, dizendo que ficaria para ser atendido.
Algumas pessoas revoltadas filmaram a truculência.
Gente! É a REPRESSÃO como na época da DITADURA!!! Horrível!!!
E eu que pensava viver numa DEMOCRACIA…
Uma senhorinha que esperava para ser atendida ENTROU EM CHOQUE e perguntava (tremendo):”O QUE VÃO FAZER COM ELES??? O QUE VÃO FAZER COM ELES???” Deve ter lembrado dos anos de repressão que viveu.
Nós também ficamos nos perguntando…
Os rapazes não estavam armados. A única coisa que traziam na mão (um deles) era um tamborzinho para fazer barulho. Seu casaco ficou no chão… Triste!!!
Fico imaginando que devem ter QUEBRADO eles a caminho da delegacia, e lá devem ter sido presos como incendiários, etc, etc…
A menina (nervosa) dizia para nós como tinham sido esses dias de protesto: “REPRESSÃO DA PM para acabar com o protesto pacífico, e por causa de tanta violência, o povo resolveu revidar.”
NÃO PODEMOS CAIR NO DISCURSO DA MÍDIA!!!
Já escuto as pessoas repetindo como papagaio: “NÃO PODE QUEBRAR PATRIMÔNIO PÚBLICO”.
PERGUNTO: PODE QUEBRAR O CIDADÃO???
Hoje, temos como revidar, espalhando a verdade pela Internet. Revertendo o “EFEITO MÍDIA”, “EFEITO PODER”.
É claro que a manifestação não é por 20 centavos, a causa é muuuito maior. O povo está cansado de tudo: FALTA DE RESPEITO, VIOLÊNCIA, DESUMANIDADE, tudo corrobora.
Nós professores já sabemos na pele há anos. Quando protestamos, somos BADERNEIROS.
Querem um Brasil das Maravilhas para apresentar aos gringos no ano que vem. Manifestação repercute mal lá fora. A preocupação é vender os ingressos e as estadias dos hotéis para a Copa. E CALAR A BOCA DO POVO.
A cada dia a polícia reforça A TROPA. SIM, O CHOQUE, A ROTA, polícia pesada nas ruas atrás dos cidadãos que querem seus direitos. Hoje falava-se da Polícia Federal entrar no COMBATE.
Peço a todos que COMPARTILHEM ao máximo. O reflexo já chega a outros estados. Talvez se esclarecêssemos, começaríamos a mudança que precisamos há tanto tempo.


Fonte – coletivodar.org

'Foi mais do que truculência policial. Foi tortura', diz Paulo Vannuchi



Para os jovens que desejam saber como era o ambiente no tempo da ditadura, digo que era o ambiente desta quinta à noite', afirma colunista da Rádio Brasil Atual

São Paulo – O ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Paulo Vannuchi afirmou que a postura da Polícia Militar de São Paulo é inaceitável para uma democracia. Ele argumentou que a repressão a manifestantes e jornalistas faz relembrar os tempos da ditadura (1964-1985) e cobrou que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) revise sua posição.
"Um PM com raiva e ódio no rosto disparando spray de gás de pimenta contra um cinegrafista. As imagens de dias de um jovem jornalista do Projeto Aprendiz preso, e que policiais cercam o jovem, jogam no chão e o espancam. Isso não é repressão e truculência apenas. Isso é tortura. A tortura tem lei específica no Brasil desde 1997. É um crime inafiançável", disse o colunista da Rádio Brasil Atual.

"Os policiais atiraram bombas e feriram jornalistas, marca do período da ditadura. Para os jovens que desejam saber como era o ambiente no tempo da ditadura, digo que era o ambiente de ontem à noite: a PM decide que não pode subir pela Consolação, interrompe e começa a disparar a torto e a direito."
O analista político disse que o governador Geraldo Alckmin e o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella, devem decidir entre cumprir ou não a lei: "Eles estão chamados a decidir entre seguir convicções democráticas, instaurar inquéritos para valer e punir os comandantes da operação ou deixar de lado o respeito à lei e reforçar o viés conservador muitas vezes presente nas atitudes do governo do estado".
De outro lado, o ex-ministro pediu ajustes na organização das manifestações, indicando que a autogestão pode impôr algumas dificuldades. "O problema ocorre nos momentos em que um movimento como esse atinge a força que atingiu nessas manifestações. O movimento não pode sentar em frente aos poderes municipal e estadual e dizer que perderam o controle. Os movimento não pode agir apenas pela sua convicção, é preciso levar em conta a ética da responsabilidade e se assumir responsável pelo que se faz e o que se propõe. Assim funciona a democracia", diz o ex-ministro.
Vannuchi ressaltou a heterogeneidade dos manifestantes e condenou as depredações feitas por grupos que considerou "sectários": "As depredações não são puxadas pelos jovens que protestam contra o aumento da tarifa, mas sim por grupos sectários anti-petistas que aproveitam o episódio para fazer um gestos com conotação anti-democrática, que não respeita a opinião da maioria".

Fonte – redebrasilatual.com.br

Piero Locatelli: Em São Paulo, “porte de vinagre” dá cadeia




O repórter de CartaCapital Piero Locatelli (na foto, ao centro, de camiseta branca) narra sua prisão por “porte de vinagre”, revela a violência contra detidas e lamenta que não-jornalistas não tiveram a mesma sorte e seguiram presos

publicado 14/06/2013 00:44, última modificação 14/06/2013 00:53

por Piero Locatelli, em CartaCapital
Eu comprei uma garrafa de plástico de 750ml de vinagre por menos de dois reais nesta quinta-feira 13. Fui a um mercado no caminho para a manifestação contra o reajuste das passagens, que iria cobrir para o site da revista.
Explico o porquê.
Acompanhei o primeiro protesto de perto na semana anterior. Na avenida Paulista, tive contato com bombas de gás lacrimogêneo. No dia seguinte, pela manhã, tinha a impressão de que havia passado um ralador em meu nariz e em meus olhos.
No segundo protesto, na última sexta-feira 7, manifestantes que seguiam pacificamente foram recebidos com mais bombas na zona oeste da cidade. No meio do ato, uma pessoa só com os olhos de fora espirrou vinagre na minha camiseta, dizendo para eu respirar e me cuidar.
Foi quando descobri que o vinagre atenua os efeitos do gás lacrimogêneo. O exemplo da manifestante desconhecida me fez ser mais precavido desta vez. Nesta quinta-feira, desembarquei do ônibus em frente ao metrô Anhangabaú. Ao chegar, vi dois estudantes sendo presos. Perguntei ao policial o que eles portavam. Ele falou em “artefatos”, sem especificar. Os presos responderam que era vinagre.
Eu não sabia que o mesmo iria acontecer comigo logo em seguida. No viaduto do Chá, a caminho da Praça do Patriarca, para onde os estudantes haviam sido levados, me deparei com jovens sendo revistados. Liguei a câmera do celular para filmá-los, quando gravei o seguinte diálogo:
SD PM Leandro Silva: Tira a sua [mochila] também.
Eu: Eu sou jornalista, amigo. Você quer a minha identificação?
SD PM Leandro Silva: Não, não. Não precisa não.
Piero: Tem vinagre aqui dentro. Tem algum problema?
SD PM Leandro Silva: Tem. Vinagre tem.
Piero: Por quê?
SD PM Leandro Silva: Pode ir lá [ser revistado]
Em seguida, minha mochila foi aberta enquanto eu continuava filmando (como é possível ver no vídeo) e pedia para pessoas próximas fazerem o mesmo. Questionei algumas vezes qual lei, norma ou portaria proibiria o porte de vinagre, mas não obtive resposta.
No caminho, tive a oportunidade de ligar para uma amiga, também jornalista, que estava indo ao ato. Disse a ela que estava sendo levado à praça do Patriarca.
Em seguida, continuei gravando. Foi este meu último diálogo com os policiais antes de ser colocado contra a parede de uma loja fechada na praça:
SD PM Pondé: Tá gravando aí, irmão?
Piero: Tô. Sou jornalista, amigo.
Cap. PM. Toledo: Vinagre… Pode ficar ali com a mão para trás.
Piero: Como é que é? Eu estou sendo preso? É isso?
Cap. PM. Toledo: Pega e fica ali com a mão pra trás! Coloca a mão pra trás aí! Mão pra trás! Mão pra trás e pega a sua bolsa! Mão pra trás!
Fiquei com a cara colada contra a parede [foto acima]. Enquanto isso, meu gravador permaneceu ligado em meu bolso. Este é um dos diálogos captados:
Policial homem não identificado pela reportagem: Encosta na parede! (2x) Mão pra trás! Coloca a mão pra trás! Mão pra trás!
Mulher: Para de me agredir. (2x) Você é homem.
Policial homem não identificado pela reportagem: Cala a boca! (3x)
Mulher: Para de me agredir. Eu não fiz nada (3x)
Policial homem não identificado pela reportagem: Quer uma policial feminina pra te agredir? Tá com spray!
Mulher: Eu não tô com spray! (2x)
Homem (policial?): Cala a sua boca! (3x)
Na sequência, a mesma mulher detida fala baixo com uma colega:
Mulher detida 1: O que ele fez com você?
Mulher detida 2: Ele me bateu com o cassetete.
Mulher detida 1: Onde?
Mulher detida 2: Em tudo. Na minha barriga, nas minhas costas.
(….)
Mulher detida 2: Ele me bateu, ele me agrediu, eu não fiz nada. Eu tava respeitando ele (2x). Ele tem que me respeitar. Eu sou uma cidadã.
Mulher detida 1: Calma. Calma. Calma. Ele não vai te respeitar porque ele tá passando dos limites. Isso é abuso de poder. Calma.
Logo após ter sido colocado contra a parede, estive ao lado de um fotógrafo, conhecido de outras pautas. Ele percebeu os flashes na parede em que nos escorávamos, disse que havia fotógrafos atrás de nós.
Eu tentei virar para ver se havia conhecidos. Não via ninguém e era recebido com gritos de policiais que me mandavam olhar para frente novamente e “não arranjar problema”.
Na terceira vez que virei, vi ao longe outro colega. Gritei o nome dele e fui colocado novamente contra a parede. Esses jornalistas se comunicaram novamente comigo por duas vezes. Na primeira, gritaram para eu virar e tirar uma foto. Na segunda, que haviam conseguido um advogado para mim.
Fui jogado em um ônibus da Polícia. Tentei perguntar por que eu havia sido preso e para onde eu estava sendo levado. Mais uma vez, não obtive resposta.
Dentro do veículo, policiais diziam que, caso houvesse pedras, era para seguir dirigindo. As ruas eram abertas por batedores, algumas motos que seguiam à frente.
Ao meu lado estava uma menina, pré-vestibulanda, que me perguntou cochichando porque estavam tirando fotos de mim no ônibus. Eu expliquei que era jornalista e aqueles eram amigos. Ela disse que “ao menos eu ia poder escrever sobre o que aconteceu, os outros não poderiam fazer o mesmo”. Falei que estávamos presos pelo mesmo motivo.
O ônibus da polícia seguiu por um caminho longo até o 78º DP, nos Jardins. Fomos colocados em fila para a revista. Pedi para colocar a blusa e um policial negou, dizendo que dali a pouco ia “ficar quente”.
Em seguida, finalmente explicaram porque estávamos ali. A delegada dizia que não estávamos presos, estávamos “sob averiguação”. Eu não sei a diferença. Tinham me levado para um departamento policial à força e não me diziam o motivo. Os meus documentos tinham sido retidos pela polícia.
Iriam fazer um Boletim de Ocorrência para todos os presentes. Segundo disseram os policiais, todos os outros (cerca de quarenta pessoas, nas minhas contas) haviam sido levados por conta do vinagre. A exceção era um que havia sido pego com entorpecentes.
Uma vez dentro da Polícia Civil, fui bem tratado. Vários policiais me perguntavam o que eu estava fazendo com um vinagre na mão. Eu tentava explicar e eles, incrédulos, não sabiam que o problema era justamente uma garrafa de vinagre. Cerca de duas horas após ser detido, fui liberado com a chegada de advogados. Deixaram que eu levasse o vinagre.
O fato de eu ser jornalista amenizou os problemas causados pela ação da polícia. A delegada chegou a me perguntar por que eu não havia me identificado como jornalista à Polícia Civil. A minha redação me disponibilizou um advogado e tentou contatar quem fosse possível. Meus amigos e outros colegas foram solícitos, mostrando o meu caso em redes sociais. A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) fez um comunicado falando da minha prisão, que foi reproduzido pelos maiores veículos do País.
Sou grato a todos eles por terem me ajudado. Só lamento que as histórias de todos os outros não tiveram a mesma conclusão. Ir e vir com garrafas de vinagre deveria ser um direito de todo cidadão.



Fonte - viomundo.com.br