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11 de julho de 2012

Record denuncia: Globo subornou Teixeira e Havelange






O jornalista suíço Jean-François Tanda diz claramente: Globo pagou ISL ( a empresa que tinha a exclusividade para a transmissão da Copa para o Brasil) e a ISL pagou Teixeira e Havelange.
Rodrigo mostra que o dinheiro da ISL teria chegado ao bolso de Teixeira (“did you accept the bribe , Mr Teixeira? “) pouco antes de Teixeira aumentar seu vasto patrimônio: com a compra, por exemplo, de uma fazendola em Barra do Piraí, no Rio.
A denúncia veiculada pela Record deveria acionar o dorminhoco brindeiro Gurgel para dar sequência à denúncia feita por Marcos Pereira, presidente do PRB, o partido que foi à Justiça para saber como Teixeira ficou tão rico.
Quem sabe, depois de responder à representação do professor Comparato, o brindeiro Gurgel – acusado de prevaricação por Fernando Collor
-, resolve evitar uma nova acusacao de prevaricação ?
Em tempo: o jornal nacional blindou a dupla Havelange/did you accept the bribe. Não mostrou nem o rostinho rechonchudo deles. O jornal nacional é muito delicado, gentil.

Paulo Henrique Amorim


Pagamentos em contas de Teixeira e Havelange somaram mais de R$ 40 milhões


Por Jamil Chade

Tribunal Superior da Suíça tomou a decisão de tornar público os documentos (leia na íntegra) que detalham os subornos que a empresa de marketing da Fifa, a ISL, recebeu e pagou a cartolas. Segundo os documentos, dois dos envolvidos são Ricardo Teixeira e João Havelange. De acordo com a apuração do Tribunal da cidade de Zug, pagamentos no valor de 21 milhões de francos suíços foram realizados em contas de empresas e fundações ligadas aos dois brasileiros. Segundo o documento, houve “enriquecimento ilícito”.
Com a decisão anunciada hoje, jornalistas suíços poderão ter acesso aos documentos, até hoje mantidos em sigilo. O Tribunal suíço confirmou à reportagem do Estado que os nomes dos envolvidos são de fato os de Teixeira e Havelange, colocando fim a uma polêmica que já durava dois anos.
Em 2010, uma corte suíça abriu investigação contra os cartolas por terem recebido subornos da ISL em troca de acordos de transmissão de jogos. Mas, na mesma decisão, ficou estabelecido que os nomes dos envolvidos não seriam divulgados, já que eles pagaram de volta parte da propina e acertaram um acordo.
Desde então, a Fifa tem sido pressionada a revelar os nomes dos envolvidos. O Estado apurou que mesmo Teixeira já se preparava para uma defesa, alegando que havia recebido o dinheiro. Mas que os recursos eram para Havelange, seu ex-sogro, e que ele era apenas um “laranja”. O próprio Havelange pediu demissão de seu cargo no COI, poucos dias antes da entidade julgar o caso. Com isso, o processo foi arquivado.

Para a FIFA somos todos corruptos.


Por Jamil Chade direto da Europa

Eu, você, minha avó e mesmo um recem formado cheio de sonhos ainda. Para a Fifa, não há diferença. Somos todos corruptos e equivalentes a “Teixeiras” e “Havelanges”.
Hoje, o Tribunal da cidade suíça de Zug publicou seu processo contra os cartolas brasileiros. R$ 45 milhões em subornos passaram por suas contas em oito anos. Mas o que mais surpreende no documento não são os valores ou a constatação da obviedade da corrupção que envolvia Havelange em seu reinado.
Em um dos trechos, o tribunal relata como os advogados da Fifa tentavam convencer os juizes em uma audiência de que não viam problemas com a atitude de Teixeira e Havelange e alegavam que a proposta da Justiça de que os cartolas devolvessem US$ 2,5 milhões para os cofres da organização seria impossível de ser implementada. Entre os vários motivos para não pedir o dinheiro de volta, os advogados da Fifa apresentaram um argumento surpreendente: o de que a “maioria da população” de países da América do Sul e África tem nos subornos e propinas parte de sua renda “normal”
Cito o trecho completo do argumento dos advogados da Fifa para não ficar dúvida: “Os representantes legais da Fifa são da opinião ainda de que implementar a devolução do dinheiro seria quase impossivel. Eles justificam isso, inter alia, com o argumento de que uma queixa da Fifa na América do Sul ou África dificilmente seria aplicada, já que pagamentos de subornos pertencem ao salário recorrente da maioria da população”.
Ou seja, Teixeira não devolveria o dinheiro porque, em nossa suposta “cultura”, todos temos parte da renda completada por subornos.