1 de junho de 2012

Mãe de vítima emociona na Comissão da Verdade


ANGELA LACERDA - Agência Estado

Elzita Santa Cruz, 98 anos, representante dos mortos e desaparecidos no período da ditadura militar, deu o tom de emoção à instalação da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara, na tarde desta sexta, nos jardins do Palácio do Campo das Princesas. "Onde está meu filho?" perguntou ela, que aguarda uma resposta há 38 anos, desde o desaparecimento de Fernando Santa Cruz, sequestrado no dia 23 de fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro.
A solenidade contou com a presença do ex-governador, senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) - que está em processo de reaproximação com o governador Eduardo Campos (PSB) - da presidente da Comissão Parlamentar da Memória e da Verdade, Luiza Erundina, e do membro da Comissão nacional da Verdade, José Paulo Cavalcanti.
O arcebispo e Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, também prestigiou a instalação da comissão estadual, que deverá ter como um dos focos prioritários de trabalho a investigação do assassinato do padre Antonio Henrique Pereira Neto, em 1969. Auxiliar de Dom Hélder Câmara, padre Henrique foi seqüestrado, torturado e morto pelo Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Nenhum dos acusados pelo crime foi condenado, apesar de provas e testemunhos. O pedido de investigação será feito por Saburido.
"É fundamental contar às novas gerações o que ocorreu para fortalecer democracia", disse o governador Eduardo Campos (PSB). "Não é tempo de revanche, mas de contar a verdade". Segundo ele, a comissão estadual vai atuar em sintonia com a comissão nacional.

O que incomoda Gilmar Mendes: a amizade com Demóstenes ou com Perillo?



As intempestivas manifestações de açodamento do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes causam estranheza no mundo político e jurídico.
Não é de se esperar que um ministro de uma Corte Suprema seja dado a entrevistas e a esboçar pontos de vista. O STF é o que o nome diz: Supremo, portanto, seus pares devem ser módicos no falar, pois o que dizem ecoa por todo o Judiciário. A um juiz – e principalmente um juiz supremo -, não é facultada verborragia. O que ele diz tem consequência. Recomenda-se a moderação a um julgador.
Nos Estados Unidos os ministros da Corte Suprema são, na sua maioria, ideologicamente ligados a um dos partidos do establishment. Ou são Democratas, como o presidente Barak Obama, ou são Republicanos, como o ex-presidente George W. Bush. Nem por isto se veem ministros saracoteando de redação em redação, de estúdio em estúdio a opinar sobre a vida política dos EUA.

Por que Nelson Rodrigues deveria inspirar os polemistas brasileiros


Ao contrário de tantos polemistas, Nelson Rodrigues não fez barulho simplesmente sendo do contra, mesmo sabendo da fraqueza do chamado pensamento convencional


Nelson Rodrigues foi um polemista absolutamente único entre os brasileiros. Suas bordoadas, quase sempre nas mesmas pessoas e pelos mesmos motivos, eram, paradoxalmente, delicadas como broncas de mãe amorosa – mas convicta e dura. Isso conta muito sobre ele. Nelson Rodrigues, nos combates que travou no campo das palavras, jamais pareceu interessado em destruir seus alvos e nem sequer em batê-los nos argumentos – mas sim em fazer os leitores pensarem, de preferência com um sorriso no rosto. Nelson Rodrigues, e este é um traço seu pouco valorizado, foi um dos melhores humoristas do país.
O humor estava presente em todas as polêmicas que travou – e também nas provocações que fez. Como toda a elite intelectual do Rio de Janeiro de seu tempo, tinha pelos paulistas uma mistura de desprezo,  despeito, raiva e admiração. Traduziu tudo isso numa de suas numerosas frases memoráveis. “O pior tipo de solidão é a companhia de um paulista”, escreveu. Só um paulista muito tacanho poderia se sentir agredido por Nelson Rodrigues. Como sempre, a vergastada estava envolta num humor tão fino que subtraía quase toda a contundência – sem minar a essência da mensagem.

Artes brasileiras voltam a abordar a ditadura militar

 
No momento em que é criada a Comissão da Verdade, país retoma o assunto

 Cena do filme ‘O ano em que meus pais saíram de férias’, de Cao Hamburger 
RIO - Foram três décadas até que o Brasil criasse sua Comissão da Verdade. Mas o grupo, que foi instaurado oficialmente há 15 dias para investigar as violações de direitos humanos cometidas durante o regime militar, de longe não representou a única demora em se tratando da ditadura brasileira. Diferentemente dos vizinhos Argentina e Chile, que também sofreram com abusos de governos militares, as artes nacionais pouco se debruçaram nos anos seguintes sobre casos e histórias relacionadas ao período. As razões, de acordo com quem viveu a época, envolviam o medo de repressões mesmo após o fim do regime, as tradições alegóricas da estética brasileira e também as as características da própria ditadura no país. Mas esse panorama vem mudando.

Filme 'Flores raras' terá Glória Pires em papel de homossexual


Atriz viverá arquiteta Lota Macedo de Soares em longa de Bruno Barreto.
Longa retrata romance entre brasileira e a poeta americana Elizabeth Bishop.

Da esq. para a dir.: as atrizes Tracy Middendorf , Glória Pires e Miranda Otto, protagonistas do filme de Bruno Barreto, 'Flores raras' (Foto: Henrique Porto/G1)
Acostumada a viver romances na TV, no teatro e no cinema, Glória Pires vai experimentar uma história de amor distinta em "Flores raras", novo filme do diretor Bruno Barreto. A atriz vai interpretar Lota de Macedo Soares, arquiteta carioca que teve um intenso relacionamento com a poeta norte-americana Elizabeth Bishop, vivida pela australiana Miranda Otto ("Senhor dos anéis" e "A guerra dos mundos").
Baseada no livro "Flores raras e banalíssimas", de Carmem Lucia de Oliveira, a produção começa a ser filmada no próximo dia 11 e vai destacar o romance entre a brasileira, que idealizou e supervisionou a construção do Parque do Flamengo (também conhecido como Aterro do Flamengo), e a ganhadora do Prêmio Pulitzer de 1956.

A toga, a língua e o caçador de blogs



Escudado na proteção republicana da toga, o ministro Gilmar Mendes desnudou uma controversa agenda política pessoal na última semana de maio. Onipresente na obsequiosa passarela da mídia amiga, lacrou seu caminho na 6ª feira declarando-se um caçador de blogs adversários de suas ideias e das ideias de seus amigos. Em preocupante equiparação entre a autoridade da toga e a arbitrariedade da língua, Gilmar decretou serem inimigos das instituições republicanas todos aqueles que contestam os seus malabarismos discursivos, a adequar denúncias a cada 24 horas, num exercício de convencimento à falta de testemunhas e fatos que as comprovem.
A fragilidade desse discurso impele-o agora ao papel de censor a exigir da Procuradoria Geral da República, e do ministro Mantega, que sufoque blogs adversários asfixiando-os com o corte da publicidade oficial. Sobre veículos que incluem entre suas fontes e 'colaboradores informais', notórios acusados de integrar quadrilhas do crime organizado, o ministro nada observa em relação à presença da publicidade oficial. Cabe ao governo Dilma dar uma resposta ao autonomeado censor da República.

Aposentado, George Lucas irá se isolar para criar filmes experimentais



Após terminar a mais recente sequência de Star Wars, o diretor George Lucas anunciou que gostaria de voltar às raízes de suas primeiras produções, como o experimental THX 1138, de 1971. Em entrevista à Empire Magazine, o veterano afirmou que irá se afastar de sua empresa, a LucasFilm, para se concentrar nesse tipo de criação.
"Estou me afastando da empresa, de todos os meus negócios e terminando todas as minhas obrigações. Vou me aposentar em minha garagem, com o meu serrote e o meu martelo, para construir filmes por passatempo. Eu sempre quis fazer filmes que eram mais de natureza experimental, sem me preocupar que sejam exibidos em salas de cinema", declarou.

Pagot: O Rodoanel financiava a campanha do Serra


Ex diretor do DENIT denuncia caixa dois n campanha do PSDB



Em três encontros com a reportagem num hotel em Brasília, todos gravados, Pagot contou detalhes sobre a forma como, no exercício do cargo, foi pressionado pelo governo de José Serra a aprovar aditivos ilegais ao trecho sul do Rodoanel. A obra, segundo ele, serviu para abastecer o caixa 2 da campanha de José Serra à Presidência da República em 2010. “Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse Pagot. 
Nas conversas com ISTOÉ, Pagot também afirmou ter ouvido do senador Demóstenes Torres um pedido para que o ajudasse a pagar dívidas de campanha com a Delta com a entrega de obras para a construtora. Mas nem o aditivo de R$ 260 milhões para o trecho sul do Rodoanel foi liberado pelo DNIT – embora tenha sido pago pelo governo de São Paulo – nem o favor a Demóstenes foi prestado, segundo Pagot.
Pagot contou à ISTOÉ que recebeu pressões para liberar R$ 264 milhões em aditivos para a conclusão do trecho sul do Rodoanel. Segundo ele, em meados de 2009, o então diretor da Dersa, empresa paulista responsável pelas estradas, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, solicitou uma audiência no DNIT.