1 de julho de 2012

Demóstenes decide falar. Veja treme!


Por Altamiro Borges


O ex-demo Demóstenes Torres, o “mosqueteiro da ética” da Veja, não tem mais nada a perder. A votação do pedido da Comissão de Ética do Senado pela sua cassação está agendada para 11 de julho. Ele já sabe que caminha celeremente para o inferno e parece que decidiu desembuchar. Segundo o seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, “a partir de segunda-feira (2), ele vai falar”.
Em seu blog, Kakay informa que o ex-líder do DEM “vai ocupar a tribuna todos os dias para fazer o enfrentamento pontual de tudo o que foi imputado a ele”. Desde que foi denunciado por suas ligações com o mafioso Carlinhos Cachoeira, o falso arauto da moralidade estava em silêncio. Segundo Josias de Souza, da Folha tucana, o bravateiro estava “ausente da tribuna do Senado há 116 dias”.
“Colegas fogem de seus telefonemas”

Lula e Civita: solidariedade no câncer

Por Luis Nassif, em seu blog:


No Sirio, em tratamento, Lula soube que seu arquiinimigo, Roberto Civita, também estava internado, câncer na próstata, só que em situação bem mais grave. Assim que foi informado, decidiu visitá-lo, apesar da resistência de dona Marisa.
Desceram ao apartamento de Roberto Civita acompanhado do oncologista de Lula, Roberto Kalil. Civita se emocionou com a visita e pediu desculpas pelos ataques a Lula e ao filho. Lula lhe disse para não se emocionar muito para não atrapalhar o tratamento.
Kalil viu sinais de ironia no alerta de Lula. Quem o conhece, viu a solidariedade para com o próximo.
A visita foi para a pessoa de Roberto Civita. Mas em nada mudou o julgamento de Lula sobre o publisher Roberto Civita.

Desdobramentos

Algumas deduções e desdobramentos da notícia acima.
Ganha consistência o rumor de que João Roberto Marinho esteve na Casa Civil do governo Dilma, solicitando o empenho do governo para a não convocação de Roberto Civita pela CPI, devido à doença. Da Abril ele seria a única pessoa a poder responder pelos movimentos da Veja nos últimos anos. Nenhum executivo - com exceção de Fábio Barbosa - tem acesso às instâncias mais altas da República.
A notícia do agravamento da doença, além disso, lança nuvens de suspeita sobre o futuro da editora. Os herdeiros não demonstram pique para segurar o timão. Analista do mercado - com quem acabo de conversar agora - julga que se encerra o ciclo Civita na mídia brasileira, sem conseguir chegar até a terceira geração. Não significa o fim da Abril, mas, a médio prazo, dos Civita à frente do grupo.
Roberto recebeu uma editora sólida do pai e teve oportunidades de criar um império. A influência da mídia sobre o governo Sarney permitiu-lhe conquistar uma rede de TV a cabo, a TVA. Depois, com a BOL, foi o primeiro grupo de mídia a tentar explorar as possibilidades da Internet.

Albernaz, o capitão que socou o rosto de Dilma Rousseff, em 1970


 Quando venho para a Oban, deixo o coração em casa’, dizia o militar do Exército
 Reprodução da carteira de identidade de Benoni Albernaz, adulterada por ele para incluir a patente de coronel Agência O Globo

SÃO PAULO - O capitão Benoni de Arruda Albernaz tinha 37 anos, sobrancelha arqueada, riso de escárnio e fazia juras de amor à pátria enquanto socava e quebrava os dentes da futura presidente do Brasil Dilma Vana Rousseff, na época com 23 anos. Ele era o chefe da equipe A de interrogatório preliminar da Operação Bandeirante (Oban) quando Dilma foi presa, em janeiro de 1970. Em novembro daquele ano, seria registrado o 43º entre os 58 elogios que Albernaz recebeu nos 27 anos de serviços prestados ao Exército.
 “Oficial capaz, disciplinado e leal, sempre demonstrou perfeito sincronismo com a filosofia que rege o funcionamento do Comando do Exército: honestidade, trabalho e respeito ao homem”, escreveu seu comandante na Oban, o tenente-coronel Waldyr Coelho, chamado por Dilma e por colegas de cela de “major Linguinha”, por causa da língua presa que tinha.
Um torturador com diploma do Mérito Policial

Direto do Twitter - 1/07/2012


MAIS UMA DO PSOL:((( Em São Lourenço do Sul, o PSOL está coligado com o PSDB e DEM e com o PP do Maluf que a militância do PSOL tanto malhou o PT dias atrás. Stanley Burburinho
Parte superior do formulário
Parte inferior do formulário

Lupicinio foi torturado pela ditadura


José Ribamar Bessa Freire


A Comissão da Verdade não sabe, mas depois do golpe militar de 1964, o compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974) foi preso e permaneceu vários meses trancafiado, primeiro no Quartel da PE, no centro de Porto Alegre e, depois, no presídio da Ilha da Pintada, apesar de nunca ter tido qualquer atividade política. Lá, foi humilhado, espancado e torturado, teve a unha arrancada para não tocar mais violão e contraiu uma tuberculose agravada pelo vento frio do rio Jacuí.
Quem me confidenciou isso foi um dos filhos de Lupicínio, Lôndero Gustavo Dávila Rodrigues, também músico, 67 anos, que hoje trabalha como motorista na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O fato é pouco conhecido, pois Lupicínio não gostava de tocar no assunto. Preferiu silenciá-lo. Morria de vergonha. "E a vergonha é a herança maior que meu pai me deixou", cantava ele em "Vingança", um grande sucesso dois anos antes de sua morte.
- Pra quem tem dinheiro ou diploma, a prisão política pode até ser uma medalha, tem algo de heroico. Mas para as pessoas humildes, como ele, que não se metia em política, a prisão é sempre uma humilhação, algo que deve ser escondido, esquecido - conta o filho de Lupicínio, a quem conheci recentemente, quando ele, dirigindo o carro da Universidade, veio me buscar para participar de uma banca de mestrado lá em Seropédica.

Lula é cidadão ilustre do Mercosul


O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi declarado "cidadão ilustre do Mercosul" durante a cúpula de chefes de Estado realizada em Mendoza, na Argentina, nesta sexta-feira. "Concordamos em reconhecer como cidadão ilustre do Mercosul nosso querido amigo e companheiro Luiz Inácio lula da Silva", anunciou a presidente argentina, Cristina Kirchner, ao término do encontro.
"Um presidente nunca deixa de ser presidente, e, para mim, a figura de Lula está indissoluvelmente unida a de meu companheiro de toda a vida", disse a presidente argentina em referência a se marido, Néstor Kirchner, que morreu em outubro de 2010.
A presidente Dilma Rousseff, que assumiu hoje a presidência temporária do Mercosul, agradeceu "em nome do povo brasileiro" a homenagem a seu antecessor, amigo e companheiro do Partido dos Trabalhadores.

Fonte Blog do Saraiva

Sonho de Ivan Lessa era estacionar no passado


RUY CASTRO
COLUNISTA DA FOLHA

Quando os CDs surgiram e tomaram a indústria fonográfica, em fins dos anos 80, todos os patetas do mundo nos desfizemos de nossas coleções de LPs. Era como se, de repente, aquele formato de disco que por 40 anos nos servira tão bem --e no qual nos habituáramos a ouvir a perfeição-- se tornasse portador de lepra.
Tínhamos de nos livrar deles e trocá-los pelos reluzentes CDs, embora, até então, só uma parcela mínima de títulos já estivesse no novo formato. E, de quebra, precisávamos aposentar também os toca-discos --subitamente arcaicos, mesmo que fossem um Thorens, um Colaro ou um MK II da Technics.
No Natal de 1992, quando fui visitar Ivan Lessa em Londres pela primeira vez, surpreendi-me quando ele tirou um LP de Billy Eckstine de uma estante vergada por milhares de LPs. "Mas você ainda tem esses discos?", perguntei. Ele me encarou como se eu lhe tivesse perguntado por que ainda não cortara um braço. Em resposta, tartamudeou algo parecido com "E por que eu me desfaria deles?".
 

 Foto de Heloisa Seixas



Foto feita durante encontro dos amigos Ruy Castro (à esq.) e Ivan Lessa no Rio

Ivan estava certo. Conservou sua monumental coleção, iniciada em 1948 (ano de surgimento do LP), e, a partir de 1990, apenas enriqueceu-a com CDs que não tinham um antepassado em vinil. Nunca abandonou suas obras-primas de Eckstine, Dick Haymes, Tony Martin, Herb Jeffries, Al Hibbler, Billy Daniels, George Byron --cantores de graves profundos, seus favoritos-- e de outros que descobriu nos anos 50, quando ninguém ainda ouvira falar deles no Rio: Bobby Short, Mabel Mercer, Blossom Dearie, Hugh Shannon, Joe Mooney, Bobby Troup.
Sem prejuízo, claro, dos incontornáveis e eternos, como Sinatra, Crosby, Astaire, Tormé, Nat Cole, Billie, Sarah Vaughan, Peggy Lee, Doris Day e centenas de outros. Ivan podia falar de igual para igual com qualquer conhecedor de música americana --mas engana-se quem o imagina um desenraizado musical.

Família de Jamelão lamenta por Mangueira não fazer enredo sobre centenário do intérprete


Por Sara Paixão


Patrimônio imaterial da Mangueira como o Verde e rosa e a singular batida do surdo, a voz de Jamelão não encontrou eco suficiente para que o intérprete fosse escolhido para ser homenageado pela escola em 2013, ano de seu centenário. Por um vultuoso patrocínio de R$ 3,6 milhões, a agremiação vai apresentar no ano que vem o enredo sobre Cuiabá, a capital de Mato Grosso.
— Em nenhum momento cogitamos fazer o enredo sobre o Jamelão. Se fizéssemos, de novo iriam nos criticar, dizendo: "a escola não está luxuosa". Levamos três enredos com a cara e a coragem, e está na hora de mostrar que a Mangueira pode, sim, apresentar alegorias que os críticos e jurados querem ver — alega Ivo Meirelles, atual presidente da escola, referindo-se ao fato de a agremiação já ter homenageado o Cacique de Ramos, Nelson Cavaquinho e a MPB.