Edição
online do Globo antecipa reportagem bombástica deste fim de semana; pesquisa em
cartórios comprova que, além de quintuplicar patrimônio imobiliário, governador
goiano omite da Receita Federal vários bens; um de seus sócios, Marcelo
Limírio, é também sócio de Cachoeira
A edição online do
jornal O Globo acaba de publicar reportagem bombástica. Após pesquisar imóveis
em nome do governador de Goiás e de seus familiares, o Globo descobriu que
Marconi Perillo quintuplicou seu patrimônio imobiliário, desde que chegou ao
Palácio das Esmeraldas. Mas o mais grave é que além de não declarar todos os
bens à Receita Federal, ele também omite transações recentes, como a compra de
um terreno de 1 milhão de metros quadrados, assinada por sua esposa Valéria, em
sociedade com Marcelo Limírio. Detalhe: Limírio, dono de um laboratório
farmacêutico, é também sócio de Cachoeira. E é o principal suspeito de estar
pagando os honorários de R$ 15 milhões de Marcio Thomaz Bastos. Neste fim de
semana, preocupados com o assédio da imprensa, assessores de Marconi Perillo
seguiram jornalistas (leia mais aqui). Estudantes foram
também agredidos numa manifestação em Itumbiara (confira aqui). Leia, abaixo, a
reportagem do Globo: GOIÂNIA - Desde que
assumiu o governo de Goiás pela primeira vez, em 1998, Marconi Perillo (PSDB)
multiplicou por cinco seus bens declarados. De R$ 299,5 mil em 1998, saltou
para R$ 1,503 milhão em 2010. Mas Marconi, que foi convocado para prestar
depoimento na CPMI do caso Cachoeira, possui um patrimônio que vai além do que
está escrito. Em pesquisas nos cartórios goianos, O GLOBO identificou pelo
menos cinco imóveis que não constam das declarações entregues à Justiça
Eleitoral. Um deles, adquirido em 7 de janeiro de 2008, é uma área de mais de
um milhão de metros quadrados, que tem entre os compradores Marcelo Henrique
Limiro Gonçalves, ex-sócio de Carlinhos Cachoeira na ICF, empresa que faz teste
de medicamentos em Anápolis (GO).
O negócio está
registrado no cartório de imóveis de Pirenópolis, cidade onde Perillo tem
fazenda. A primeira-dama Valéria Jayme Peixoto Perillo juntou-se a um grupo de
12 pessoas e duas construtoras para adquirir um terreno denominado Chácara José
Leite. A área, segundo os registros, foi adquirida por R$ 800 mil, pagos em
duas parcelas. O nome de Perillo consta na escritura, mas quem assina é sua
mulher. Eles detêm 22%, o que daria uma contribuição de R$ 176 mil na ocasião.
Entre os demais
sócios no empreendimento estão as empresas R. Diniz Construções e Construtora
Central do Brasil. Marcelo Henrique é um grande empresário na cidade, ligado a
Carlinhos Cachoeira. Ele também é sócio do senador Demóstenes Torres (sem
partido) em uma universidade em Minas Gerais, e foi doador das campanhas do
governador e do senador.
Em 2010, segundo
atestam documentos a que O GLOBO teve acesso, Marconi fez um negócio que, pelo
que está registrado, foi quase um presente do irmão dele, Antonio Pires Perillo.
Em 14 de maio de 1998, Antonio adquiriu uma área de 43,75 hectares em
Pirenópolis por R$ 30 mil. E, 12 anos depois, em 24 de fevereiro de 2010,
revendeu o imóvel para o governador por R$ 13 mil. Ao invés de valorizar, o
terreno teria desvalorizado. A Prefeitura de Pirenópolis, porém, fixou em R$
120 mil o valor venal da área para efeito de Imposto de Transmissão de Bens
Intervivos (ITBI). A alíquota do imposto é de 2% — Marconi pagou R$ 2,4 mil.
O governador também
omitiu de sua declaração o fato de ser coproprietário de um apartamento de
86,70 metros quadrados no edifício Jardins de Versailles. Ele foi adquirido em
20 de fevereiro de 2001 e, de acordo com o Cartório de Registro de Imóveis da 1
Circunscrição de Goiânia, 55% estão em nome de Marly Jayme Peixoto, sogra do
governador. Os outros 45% são divididos entre Perillo e a mulher dele, Valéria.
Na época, o imóvel custou R$ 49 mil. Hoje, está avaliado em cerca de R$ 300
mil.
Dono de propriedades
rurais em Pirenópolis, o governador deixou de registrar ainda a aquisição de
91,96 hectares. A terra foi comprada em 30 de maio de 2003 de sua sogra sogra e
dos cunhados. Mais uma vez quem assina é a primeira-dama, citada como
compradora ao lado do marido com quem vive em regime de comunhão parcial de
bens. Ou seja, tudo o que é comprado após o casamento é do casal. Pelas terras
foram pagos R$ 70 mil.
Omissões relevantes
podem levar à inelegibilidade
Além de omitir bens,
Marconi incluiu em declarações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
bem que, legalmente, ainda não lhe pertencia. Embora o governador declarasse,
desde 2006, ser proprietário de dois lotes em Alphaville Flamboyant, somente em
7 de julho do ano passado é que ele passa a ser o dono, de fato, dos terrenos.
Documento do cartório de registro de imóveis da 4 circunscrição atesta que a
escritura pública foi registrada em 9 de setembro de 2011, com a venda datada
de 7 de julho do mesmo ano.
Consultada pelo GLOBO
sobre como os candidatos devem proceder em relação à declaração de bens, a
procuradora eleitoral Sandra Cureau informou que todo o patrimônio deve ser
informado à Justiça Eleitoral. O candidato só não precisa incluir na declaração
bens que vendeu antes do prazo para apresentar o registro de sua candidatura.
Segundo ela, omissões revelantes podem levar à rejeição da prestação de contas
e até mesmo à inelegibilidade do político.
No 247

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