Quem
diz é o ex-prefeito de Anápolis (GO) Ernani de Paula, que conviveu com ambos.
Ele foi amigo do bicheiro e sua mulher Sandra elegeu-se suplente do Senador do
DEM em 2002; “Cachoeira Filmou, Policarpo publicou e Demóstenes repercutiu”
Cachoeira e Demóstenes teriam fabricado por
vingança a primeira denúncia que culminou no mensalão, afirma ex-prefeito
Marco
Damiani
O Mensalão, escândalo político que pode ser
julgado ainda este ano pelo Supremo Tribunal Federal, acaba de receber novas
luzes. Elas partem do empresário Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis,
cidade natal do contraventor Carlinhos Cachoeira e base eleitoral do senador
Demóstenes Torres (DEM-GO).
“Estou convicto que Cachoeira e Demóstenes
fabricaram a primeira denúncia do mensalão”, disse o ex-prefeito. Para quem não
se lembra, trata-se da fita em que um funcionário dos Correios, Maurício
Marinho, aparece recebendo uma propina de R$ 5 mil dentro da estatal. A fita
foi gravada pelo araponga Jairo Martins e divulgada numa reportagem assinada
pelo jornalista Policarpo Júnior. Hoje, sabe-se que Jairo, além de fonte
habitual da revista Veja, era remunerado por Cachoeira – ambos estão presos
pela Operação Monte Carlo. “O Policarpo vivia lá na Vitapan”, disse Ernani
de Paula.
O ingrediente novo na história é a trama que
unia três personagens: Cachoeira, Demóstenes e o próprio Ernani. No início do
governo Lula, em 2003, o senador Demóstenes era cotado para se tornar
Secretário Nacional de Segurança Pública. Teria apenas que mudar de partido,
ingressando no PMDB. “Eu era o maior interessado, porque minha ex-mulher se
tornaria senadora da República”, diz Ernani de Paula. Cachoeira também era um
entusiasta da ideia, porque pretendia nacionalizar o jogo no País –
atividade que já explorava livremente em Goiás.
Segundo o ex-prefeito, houve um veto à indicação
de Demóstenes. “Acho que partiu do Zé Dirceu”, diz o ex-prefeito. A
partir daí, segundo ele, o senador goiano e seu amigo Carlos Cachoeira
começaram a articular o troco.
O primeiro disparo foi a fita que derrubou
Waldomiro Diniz, ex-assessor de Dirceu, da Casa Civil. A fita também foi
gravada por Cachoeira. O segundo, muito mais forte, foi a fita dos Correios, na
reportagem de Policarpo Júnior, que desencadeou todo o enredo do Mensalão, em
2005.
Agora, sete anos depois, na operação Monte
Carlo, o jornalista de Veja aparece gravado em 200 conversas com o bicheiro
Cachoeira (veja aqui), nas quais, supostamente,
anteciparia matérias publicadas na revista de maior circulação do País.
Até o presente momento, Veja não se pronunciou
sobre as relações de seu redator-chefe com o bicheiro. E, agora, as informações
levantadas pelo ex-prefeito Ernani de Paula contribuem para completar o quadro
a respeito da proximidade entre um bicheiro, um senador e a maior revista do
País. Demonstram que o pano de fundo para essa relação frequente era o
interesse de Cachoeira e Demóstenes em colocar um governo contra a parede.
Veja foi usada ou fez parte da trama?

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