7 de junho de 2012

Nercessian e o sumiço de Roberto Freire


Por Altamiro Borges

Na semana passada, o deputado Roberto Freire, chefão do PPS, voltou a ocupar generosos espaços na mídia demotucana. Junto com o tucano Álvaro Dias e o demo Agripino Maia, ele encaminhou representação à Procuradoria-Geral da República exigindo apuração das denúncias do ministro Gilmar Mendes de que teria sofrido pressão do ex-presidente Lula para abortar o julgamento do chamado mensalão. Vaidoso, Freire brilhou nas telinhas da TV Globo e de outras emissoras de tevê.
Hoje, porém, ele deve sumir dos noticiários – talvez seja encontrado em algum cassino de Punta Del Leste, onde é frequentador assíduo, segundo revelou recentemente o jornalista Tales Faria, do IG. O motivo deste sumiço é outra representação, desta vez contra o deputado federal Stepan Nercessian, eleito pelo PPS no Rio de Janeiro, que foi protocalada na Câmara Federal.

R$ 175 do amigo Cachoeira

A representação é assinada pelo advogado Leandro Mello Frota e solicita abertura de processo disciplinar contra o deputado, que se licenciou “temporariamente” do PPS, para apurar a prática de atos incompatíveis com a ética e o decoro parlamentar. A iniciativa pode resultar na cassação do mandato de Nercessian, o ator global que também estava sumido da mídia.
Para quem não se lembra, o deputado foi flagrado numa escuta telefônica da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, pedindo R$ 175 mil ao mafioso Carlinhos Cachoeira. Caso seja instaurada a investigação, Stepan Nercessian será notificado e terá o prazo de dez dias para apresentar a sua defesa junto à Comissão de Ética do Congresso Nacional.



PPS vai apoiar a representação?

O deputado, uma das estrelas do PPS, é réu confesso por quebra de decoro parlamentar. Em entrevista à Rádio Globo, em maio passado, ele confessou que pediu um “empréstimo” de R$ 175 mil a Cachoeira em junho de 2011, ou seja, durante o exercício do mandato. Ele também reconheceu na entrevista que sabia das acusações de envolvimento do bicheiro com o crime organizado.
“Eu sabia que ele não tinha uma vida limpa e assumo que errei”, afirmou Nercessian ao radialista Roberto Canázio. Ele também disse que era amigo do mafioso há mais de 20 anos. Em sua representação, Leandro Mello argumenta que o artigo 55 da Constituição Federal estabelece que “perderá o mandato o deputado ou senador cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar”. 
Será que Roberto Freire, o “ético”, vai se pronunciar sobre o caso? E o PPS dará apoio à representação?

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